As expectativas eram grandes e os mais de 4 mil participantes do Congresso Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), realizado em Santos (SP), nos dias 5 e 6 de junho, estavam dispostos a unificar e fortalecer as lutas dos trabalhadores brasileiros que estão sofrendo ataques do Governo Federal e dos patrões. Mas ao final dos dois dias de congresso o resultado não foi dos melhores.
Convocado pela Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas), Intersindical (Instrumento de Lutas e Organização da Classe Trabalhadora), MAS (Movimento Avançando Sindical), MTL (Movimento Terra, Trabalho e Liberdade), MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e Pastoral Operária, o Conclat se caracterizou pela “mais absoluta falta de vontade, por parte da maioria da Conlutas, em construir uma síntese de opiniões divergentes, optando pelo método, a partir de uma maioria numérica (pequena e eventual) de delegados e delegadas no congresso, de querer impor uma única visão”, diz a nota oficial da Intersindical.
Na primeira votação de maior relevância, acerca do caráter da central, as opiniões divergiram. A disputa era se a nova central englobaria também outros setores da luta, como os estudantes e os movimentos contra a opressão. Ânimos exaltados e discursos inflamados. Na proposta vencedora, apresentada e defendida pela Conlutas, os delegados decidiram que a nova central terá a participação das forças sindicais, camponesas, populares e estudantis.
Após o impasse na votação por causa do nome da nova central, a unificação ficou prejudicada. Com a saída da Intersindical, da Unidos pra Lutar (CST) e do Movimento Avançando Sindical (MAS) do plenário a tão esperada unificação ficou comprometida. A Conlutas apresentou sua proposta de nome (Conlutas – Intersindical) e, com maioria dos votos dos delegados, foi aprovada. Sobre a forma da nova secretaria executiva nacional, a proposta aprovada foi 27 membros titulares e 8 suplentes, além de um Conselho Fiscal com 3 titulares e 3 suplentes.
Em matéria publicada em seu site, a Conlutas diz que “existia um amplo acordo de formar uma central que fosse uma alternativa às centrais governistas, que respondesse as demandas de lutas imediatas dos trabalhadores, já não garantidas pelas outras centrais” e que as centrais “abandonaram o congresso desrespeitando a vontade dos milhares de delegados presentes”.
Mesmo sem a participação de uma das principais centrais sindicais que compunha a unificação, a mesa que presidia o congresso aprovou a criação da nova central com uma direção provisória de 21 nomes que vão encaminhar os próximos dois meses. “Essa nova central que foi criada já nasceu dividida. A unificação da Conlutas com a Intersindical não aconteceu e os partidos políticos continuam interferindo na vida sindical. Fica parecendo que cada partido tem sua central”, afirmou Teresinha Ceccato, uma das coordenadoras gerais do Sintufsc e delegada no congresso.




