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A saga da diretoria da Apufsc contra a urna eletrônica e a consulta paritária

A Diretoria do SINTUFSC dirige-se à comunidade universitária porque não é possível naturalizar as distorções e inverdades que vêm sendo difundidas. O momento exige firmeza, franqueza e responsabilidade política. A recusa da diretoria da Apufsc em reconhecer o edital da consulta informal à comunidade e suas notas públicas não tratam de mero detalhe procedimental. O que está em disputa é quem decide os rumos da universidade e sob qual modelo essa decisão se dá.

É preciso afirmar sem ambiguidades: ao transformar a adoção de urna eletrônica em motivo para ruptura e ao sustentar um impasse artificial, a direção da Apufsc tensiona deliberadamente o processo com o intuito de fragilizar a consulta paritária. Essa postura não fortalece a democracia universitária; ela a condiciona a uma lógica de supremacia docente, na qual a vontade de uma categoria se pretende superior à construção coletiva entre docentes, TAEs e estudantes. Ao substituir o diálogo pela produção de crise, a atual gestão da Apufsc reafirma uma concepção hierárquica de universidade que contraria o princípio da paridade e esvazia o sentido mais amplo de comunidade acadêmica.

O que se segue é um esclarecimento direto, com juízo político explícito: a direção da Apufsc está tentando transformar a regra de consenso em veto permanente, fabricar “impasse” para travar o processo e criar as condições para deslocar a consulta para o CUn, esvaziando a consulta paritária construída historicamente pelas entidades — uma postura aristocrática, que se coloca acima da construção coletiva e trata a participação democrática como concessão, não como princípio.

1) O Art. 6º existe para viabilizar o processo, não para paralisar

A diretoria da Apufsc age como se todas as categorias devessem se submeter à sua posição – como se a vontade docente devesse prevalecer sobre as das demais categorias. Faz isso insistindo em afirmar que “não há consenso”, e, por isso, nada poderia avançar. Para sustentar essa posição, invoca o regimento interno da COMELEUFSC, que dispõe:

Art. 6º – As decisões da COMELEUFSC serão tomadas de forma consensual”.

É nesse ponto que costuma encerrar a leitura. O que curiosamente deixa de mencionar é que o mesmo artigo contém um complemento normativo obrigatório:

Parágrafo único: ao não se atingir o consenso em algum ponto, os representantes das entidades deverão levar o ponto em divergência para discussão e posicionamento da entidade, como forma de se atingir o consenso, no prazo de 24 ou 48 horas.

A leitura correta é inequívoca: a ausência momentânea de consenso não paralisa o processo; ao contrário, aciona um procedimento objetivo para sua superação. Esse procedimento foi aberto mais de uma vez. Ainda assim, a Apufsc não apresentou qualquer proposta objetiva de alteração, nem qualquer fórmula concreta de solução — apesar de ser apenas uma entre quatro entidades na divergência.

E aqui está o ponto político central que precisa ser explicitado: consenso não é o mesmo que unanimidade, e não pode ser convertido em instrumento de bloqueio. O que a direção da Apufsc passou a denominar “impasse” assumiu, na prática, a forma de uma protelação sucessiva que buscou colocar em risco o encaminhamento do edital e o próprio calendário da consulta. A ausência de encaminhamentos concretos por parte da Apufsc, combinada com a manutenção da discordância como posição fixa, escancara a tentativa de produzir efeito obstrutivo sobre o processo. Mais do que isso, revela o fundamento de sua ação política: a supremacia docente. 

O mesmo fundamento se demonstra quando a diretoria da entidade pretende falar pelas demais categorias. Agem como se TAEs e estudantes não tivessem capacidade política de tomar suas próprias decisões – ignorando a vontade e as preocupações de suas entidades representativas, pretendem ser a voz de toda a universidade. Mais uma vez se expressam como se os docentes fossem os únicos detentores da razão científica e política, cujas decisões devessem se sobrepor às dos demais. 

2) O ataque à urna eletrônica

A Apufsc foi explícita: declara que não reconhece o edital porque consta voto presencial com urnas eletrônicas e porque “não haveria confirmação” do TRE. E, em publicação de 21/02, reforça a narrativa, atacando o encaminhamento e tentando imputar inverdades.

O fato objetivo é: a direção da Apufsc está saindo por causa da urna eletrônica – chamada inclusive de “retrocesso” por integrante da direção da Apufsc em reunião da COMELEUFSC. Isso é gravíssimo no contexto atual, em que a urna é alvo de ataques políticos da extrema direita no país. Responsabilidade histórica é dever de uma entidade sindical; sua atuação não pode ser orientada por oportunismo de ocasião.

E há um agravante: na consulta passada para a Reitoria da UFSC, a diretoria da Apufsc também abandonou a comissão, justamente em um período em que a democracia universitária exigia postura, firmeza e unidade, porque o governo federal vinha desrespeitando consultas e nomeando interventores para reitorias em diversas universidades. A consulta paritária, naquele cenário, não era “detalhe”: era símbolo de resistência democrática. Repetir a retirada agora mostra padrão, não acidente. Aliás, coincidentemente, é a mesma presidência da época.

A escolha pela urna eletrônica não se trata de mero capricho: a urna eletrônica brasileira é referência internacional em segurança e eficiência eleitorais. Não à toa, tem sido atacada sistematicamente por setores da sociedade interessados em fragilizar a democracia em nosso país. A UFSC foi pioneira em adotar a consulta paritária à comunidade como forma de escolha de seus dirigentes, ainda no período da ditadura. Utilizar do meio mais seguro disponível para realização desta consulta demonstra o compromisso inequívoco da COMELEUFSC com a lisura do processo eleitoral.

A acusação de “fragilidade” do edital por suposta falta de confirmação do TRE é, no mínimo, desonesta. O edital prevê urna eletrônica e, se não for possível seu uso, prevê alternativa remota (e-Democracia). Ou seja: as três entidades (SINTUFSC, DCE e APG) buscaram preservar alternativas e garantir o processo. Isso é responsabilidade. 

A diretoria da Apufsc, ao contrário, escolheu um caminho de irresponsabilidade: abandonou o processo por motivo cínico, apesar de o edital estar resguardado com alternativa. Isso revela que o problema nunca foi técnico: é político. O rechaço à urna eletrônica é o pretexto da vez para combater o equilíbrio decisório com as demais categorias – e do mesmo modo com suas entidades representativas. É assombroso que até mesmo um dos principais símbolos do processo democrático brasileiro seja atacado desse modo apenas para que a diretoria da entidade sobreponha sua vontade sobre as demais categorias.

3) A atuação diligente e responsável da comissão eleitoral 

A diretoria da Apufsc alega que as três entidades teriam solicitado urnas à revelia do regimento. Essa afirmação não procede por um motivo simples: a decisão já havia sido tomada em reunião da comissão eleitoral. Considerando os prazos do processo e o cuidado em preservar a parceria histórica entre nossa universidade e o TRE, a comissão atuou para solicitar as urnas e dar continuidade à organização da consulta. Trata-se apenas da atuação diligente e responsável por parte dos membros da comissão eleitoral que estão comprometidos com o processo democrático da consulta para escolha da Reitoria.

Nós afirmamos sem rodeios: enquanto representantes do SINTUFSC, do DCE e da APG trabalham obstinadamente para garantir o processo de consulta, a diretoria da Apufsc tenta sabotar o calendário por protelação. Quando as demais entidades agiram para preservar o processo, a Apufsc reagiu com nota e saída “temporária”.

De igual modo, trata-se da postura das entidades frente à reunião realizada no TRE. Mais uma vez, SINTUFSC, APG e DCE realizam diligências para garantir a consulta, enquanto a Apufsc procura deslegitimar o processo. 

A nota de 21/02 insiste em sustentar a tese de que teria havido “intervenção”, “pressão” ou “tomada de partido” por parte do reitor. Essa narrativa não encontra amparo nos fatos e desvia o debate do que realmente ocorreu. Realizar tais afirmações inclusive beira o absurdo, pois admite que a autonomia decisória do TRE-SC poderia ser prejudicada por interferência externa. 

Os fatos são simples e diretos: enquanto a diretoria da Apufsc havia retirado sua representação da COMELEUFSC, as demais entidades realizavam as tratativas para dar seguimento às decisões tomadas no âmbito da comissão e encaminhar a realização da consulta informal. Inclusive naquilo que diz respeito ao diálogo respeitoso e inter-institucional entre UFSC e TRE. E do mesmo modo, as entidades seguirão trabalhando junto ao tribunal para viabilizar o uso das urnas eletrônicas e garantir a realização da consulta. 

Com relação à temporalidade da convocação da reunião emergencial pelo TRE, que fique bem claro, a exiguidade do tempo afetou todos os membros da COMELEUFSC. A reunião foi solicitada emergencialmente pelo próprio diretor-geral do TRE, que entrou em contato telefônico com a coordenadora-geral do SINTUFSC por volta das 15h, indicando a necessidade de realização imediata do encontro. A convocação foi comunicada imediatamente pela representante do SINTUFSC a todos os membros da COMELEUFSC por meio do grupo de mensagens utilizado pela Comissão, e houve o comparecimento de representante da Apufsc. 

Mais uma vez, a diretoria da Apufsc tenta emplacar sua estratégia de deslocar o foco do debate – que deveria ser sobre regras, prazos e viabilidade da consulta. Tentam por todos os meios construir uma crise e levar a consulta informal ao Conselho Universitário.

4) Mais uma manobra cínica

A COMELEUFSC foi instituída pelo Conselho Universitário com competência para organizar e conduzir a consulta informal à Reitoria. Uma vez delegada essa atribuição, não cabe ao CUn tutelar cada divergência interna da Comissão. Remeter qualquer dissenso ao Conselho significa esvaziar a autonomia conferida e fragilizar a própria estrutura democrática que sustenta a consulta.

A direção da Apufsc insiste em “levar o impasse ao CUn”. Isso não é solução neutra. Isso cria uma aparência de “institucionalidade” para uma consulta informal, abrindo espaço para judicialização e para que a eleição seja empurrada ao Conselho – e aí o que se tem é o sistema 70/30, em que servidores docentes têm 70% do peso.

Aqui vai o juízo político que precisa ser dito claramente: isso é uma manobra para acabar com a consulta paritária, reduzindo a participação de estudantes e TAEs. E é de um cinismo inacreditável que, ao mesmo tempo em que a direção da Apufsc alega estar preocupada com estudantes, defende um caminho que retira deles quase todo o peso político.

Repetimos: que democracia é essa, se apenas os iguais têm poder decisório? Isto tem um nome e uma história: supremacia docente. 

5) Em defesa da paridade 

O conjunto da obra é claro: a diretoria da Apufsc quer colocar a questão no CUn, judicializar, empurrar para o 70/30 e, no limite, acabar com a consulta informal paritária. E faz isso usando como pretexto ora a urna eletrônica, ora o TRE, ora o reitor, ora “impasse”. Isso não é defesa da democracia. Isso é uso instrumental do discurso democrático para produzir um desfecho conveniente aos seus interesses.

É triste que uma entidade sindical esteja hoje sendo dirigida por quem prefere destruir uma forma democrática e paritária de escolha — em vez de construí-la — por cálculo político próprio. A saga da diretoria da Apufsc contra a urna eletrônica é apenas o mais novo capítulo de sua jornada conservadora pela manutenção de uma decrépita supremacia docente. O grupo que se apossou da entidade procura esconder, mas suas ações revelam a crença de que a sua vontade deve reinar na universidade por sobre a cabeça das demais categorias. Não conseguem compreender — e menos ainda aceitar — que  TAEs e estudantes não se submetam às suas iluminadas posições nem as acatem sem questionamento. Isso fica evidente no tom ressentido adotado por membros de sua diretoria e por muitos dos que escrevem em seu tabloide. Por isso, mais uma vez, procuram deslegitimar a consulta informal para escolha da Reitoria. Parece-nos que a diretoria da Apufsc quer, e utiliza de todos os meios para, definir sozinha quem é o reitor da UFSC (e sabemos exatamente de quem é esse sonho). 

Mais grave é que os fundamentos conservadores do grupo que dirige a entidade, e daquele que se pretende o chefe político docente, contamine professores mais jovens. Sorte da comunidade universitária é que há muitos dentre os docentes que não compram seu discurso e constroem a universidade lado a lado (e não por cima) com TAEs e estudantes. Muito pode ser construído de alegre e inovador na universidade brasileira e em nossa UFSC, e é nisso e com o trabalho conjunto que nossas energias devem se centrar. 

De nossa parte, seguiremos comprometidos com a defesa da urna eletrônica, com a paridade e com a participação efetiva de todas as categorias, garantindo que a comunidade universitária decida seu futuro de forma democrática – sem chantagem de “consenso” e sem sabotagem política. Continuaremos nosso trabalho diligente e responsável para que a consulta  ocorra com tranquilidade e equilíbrio, construindo a democracia real na UFSC. 

 

Florianópolis, 22 fevereiro de 2026

Direção do SINTUFSC

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