A Frente de Luta por uma Expansão de Qualidade na UFSC, se reúne hoje, terça-feira, dia 27 de abril, às 17 horas, para cobrar do reitor comprometimento com as propostas apresentadas na audiência do dia 20 de abril (veja íntegra da audiência do dia 20, clique aqui).
“20, 40, 100 ou 200 estudantes em uma sala de aula não muda a qualidade”
Nesta terça-feira, dia 27, às 17 horas, a Frente de Luta por uma Expansão de Qualidade vai ao gabinete do reitor, às 17 horas, para cobrar o comprometimento de Álvaro Prata com as reivindicações apresentadas por estudantes e trabalhadores na audiência do dia 20 de abril. Na audiência, o reitor afirmou que ““20, 40, 100 ou 200 estudantes em uma sala de aula não muda a qualidade”. Técnicos que participam da frente também defenderam na ocasião a oficialização da a oficialização da jornada de 30 horas em turnos corridos de 6h , para ampliar o atendimento na UFSC, em um processo de expansão que garanta a qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão, e que assegure condições decentes da trabalho na instituição.
Confira a seguir o relato da audiência, no texto escrito pela Frente de Luta.
Desde a criação da Frente de Luta por uma Expansão de Qualidade na UFSC, tem se avançado no sentido de unificar todos aqueles – estudantes e trabalhadores – que buscam melhorias para nossa educação superior. Após a realização de Conselhos de Entidades de Base no âmbito estudantil, Assembléia Geral, conversa com centros acadêmicos, passagens em sala, a frente tem ganhado adesão e simpatia, pois possui reivindicações justas e propostas coerentes com as necessidades sentidas em nosso cotidiano, além de uma análise das raízes dos problemas que nos afligem.
De todas as ações da Frente de Luta, a mais importante delas foi a audiência com o Reitor Álvaro Prata. Nela apresentamos a “carta ao reitor” (disponível em http://frentedeluta.wordpress.com/), conjunto de reivindicações construídas com um acúmulo de debates e lutas.
A audiência, que já havia sido solicitada no dia 8 de Abril, após a assembléia, para ser realizada no dia 20, foi confirmada apenas na segunda-feira, dia 19, um dia antes da data solicitada e com o agravante de a reitoria marcar para o auditório do CDS (Centro de Desportos), propositalmente pensado para inviabilizar a participação da comunidade, já que o auditório é pouco conhecido e deslocado, além de termos que divulgar às pressas o local. Mesmo assim houve uma participação considerável da comunidade, interessada no assunto.
Após a apresentação das propostas e a discussão feita por um estudante e um técnico-administrativo, o reitor tomou a palavra. Já no início de sua fala disse que era papel de um dirigente da universidade saber ouvir a comunidade e falar sobre os rumos necessários, e que era preciso saber ponderar essas duas coisas. Gastou metade da sua fala com isso. Em seguida passou a uma defesa do REUNI, e já de cara nos espantamos: não só fez uma defesa do projeto na íntegra, como defendeu as conseqüências mais nefastas de sua implementação. “20, 40, 100 ou 200 estudantes em uma sala de aula não muda a qualidade”, disse Prata, o que ficará marcado em nossas mentes. Defendeu aquilo que Lucio Botelho, antigo reitor, não podia defender na aprovação do REUNI em 2007, quando denunciávamos que esse projeto transformaria a universidade em um “escolão de 3° grau”. A opção por juntar turmas ao invés de contratar professores está clara, e foi defendida por Prata. É importante dizer que o edital aberto para a contratação de 203 professores não repõe sequer a atual falta de professores, pois a universidade possui um grande quadro de substitutos (mais de 500, cerca de 25% dos professores). Queremos a contratação de 650 professores efetivos ainda esse ano!
Após alguns rodeios, o reitor deixou no ar que tampouco concorda com a proposta dos técnicos de jornada de 30h com turnos corridos de 6h para deixar a UFSC mais tempo aberta à comunidade. Sobre o aumento do valor da Bolsa Permanência nos disse algo quase indecente: que o aumento do valor destas estaria condicionado à diminuição da quantidade de bolsas oferecidas! Além disso, deixou nas entrelinhas que os estudantes que conquistaram a Bolsa Permanência em 2005, bem como o aumento de seu valor, devem ser punidos e os processos administrativos não serão arquivados. Sobre o fato de os estudantes estarem voltando a cumprir o papel de técnicos-administrativos não falou uma palavra.
Disse defender a compra de livros para a BU e que isso estaria sendo feito, mesmo com a negativa de um estudante de economia que disse já terem encaminhado à administração listas de livros que não foram comprados.
E com exceção dos pontos tocados acima, o único comprometimento do Prata foi o de construir a 3° Ala do RU até 2011 (sic), nada mais nada menos, do que um ano a mais do que havia sido o acordado em 2009 para a construção da nova cozinha.
A nós, que estávamos presentes na audiência, pareceu poder esperar tudo da atual reitoria, menos a resolução de nossos problemas. Frases como “o ensino público pode ser pago, é assim na Europa”, como ouvimos do reitor, nos preocupam em relação aos rumos que serão dados às nossas universidades. A única garantia que temos é a nossa luta, e por isso é momento de continuarmos unidos por nossa pauta entregue ao reitor, a ser respondida até terça-feira, dia 27, e por isso iremos às 17h deste dia cobrar um mínimo de comprometimento não conseguido na audiência.
Frente de Luta por Uma Expansão de Qualidade