A APRASC divulga, a pedido do coronel da reserva Alvir Antonio Schneider, artigo que trata da evolução dos direitos democráticos dentro das instituições militares e, mais especificamente, sobre a luta da APRASC por conquistas de direitos, aumentos salariais e melhorias nas condições de trabalho. Segundo ele, “a tentativa do atual governo catarinense e do comando da PMSC, de criminalizar a APRASC e seus dirigentes, é uma afronta aos mais basilares princípios de democracia, de liberdade e do próprio direito”.
Ex-presidente da Associação de Oficiais Militares (ACORS), o coronel já foi comandante do 8º Batalhão da Polícia Militar, em Joinville, no período de 2004 a 2006 e subcomandante da 5ª Região Policial Militar.
Atualmente, exerce o cargo de coordenador da Defesa Civil da Prefeitura de Joinville.
Segue o texto:
De APRASC, Direito, Tirania e Evolução
A luta pelo direito é a mola propulsora da evolução social. Não precisamos de filósofos, juristas ou sociólogos para concluir isto. É a essência da história humana neste planeta que nos impõe tal conclusão. Não fora por ela e não seríamos o que somos.
Inegável que o conceito de liberdade supera o próprio amor à vida. Assim não fora e milhões não teriam dado sua vida pela luta à liberdade, ao longo de nossa trajetória neste planeta. Negar ao homem o elementar direito de reivindicar melhores condições de vida e de trabalho, dignidade de manter sua família e criar seus filhos, de sonhar um mundo melhor para si e para os demais, é negar não apenas o direito, mas toda a humanidade que há em cada ser. É ferir de morte o mais básico conceito de liberdade. É incitar o homem a lutar a mais justa das lutas: a mesma que construiu a civilização!
Os movimentos trabalhistas têm sido fundamentais para escrever a história recente deste país. De Getúlio Vargas a Lula, os trabalhadores têm estado no centro de todas as ações dos governos, éticas ou hipócritas, antes ou depois de eleitos. A tentativa do atual governo
catarinense e do comando da PMSC, de criminalizar a APRASC e seus dirigentes, é uma afronta aos mais basilares princípios de democracia, de liberdade e do próprio direito. É uma apologia à tirania e à ilegalidade. É uma afronta à Constituição, à história e à humanidade.
Nossa atual Constituição foi um divisor de águas na história deste país. Marcou definitivamente a transição de nossa sociedade rumo à construção de uma democracia real e de direito. Desgraçadamente, homens ainda há que lutam contra a evolução. O velho e o ultrapassado teimam, inócua e desesperadamente, em resistir. Em vez de evoluir, debatem-se no atraso e na ânsia do poder. Embora sua abjeta luta seja ao final derrotada, nesta deletéria e infeliz cruzada atrasam a humanidade e sacrificam seres. E a história será seu acusador, juiz e carrasco. A história se cumprirá, impávida e inexorável, mas vidas, dignidades e famílias inúmeras serão maculadas pela sede de poder destes tiranos incorrigíveis, travestidos de defensores da ordem pública.
A Democracia não funciona por partes. Enquanto houver ilhas de ditadura no consciente “coletivo” de nossos governantes a democracia estará irremediavelmente ameaçada. O poder tem a incrível e devastadora habilidade de transformar idealistas do ontem em tiranos do hoje e assassinos do amanhã.
Trágica e comicamente, amargamos hoje este grande paradoxo: alguns dos mesmos que ontem lutavam pelas eleições diretas, pela democratização do país, pelo fim da ditadura, por mais direitos e liberdades para os cidadãos, maquiavelicamente agiram para atingir o poder e hoje repetem, sub-repticiamente, os mesmos atos daqueles que tanto criticaram.
Provam-nos, finalmente, que jamais quiseram derrubar a ditadura, mas apenas e tão somente ansiavam em substituir, eles próprios, aos ditadores…
Impérios, governos, comandos, perseguições, tudo passa… a luta é a única constante na história. Quanto mais evoluímos, mais a luta pelo direito supera a luta pelo poder. Embora alguns desconheçam, isto chama-se EVOLUÇÃO e é inexorável. Resistir é inútil!
Alvir Antonio Schneider é pós-graduado em Economia, pós-graduado em Segurança Pública e foi Presidente da Associação de Oficiais da PMSC por dois mandatos.