Nesta terça-feira, 17 de março, ocorreu a sessão autoconvocada do Conselho Universitário (CUn) da UFSC, com dois pontos principais: a discussão, para fins de aconselhamento, sobre o suposto “impasse” na Comissão Eleitoral Representativa de Entidades da Universidade Federal de Santa Catarina (COMELEUFSC) quanto à forma de votação (remota ou presencial) na consulta informal à comunidade universitária; e a revisão do calendário da consulta informal da Comissão. Desde a convocação, nós do SINTUFSC, e as entidades representativas dos estudantes (DCE) e dos pós-graduandos (APG) manifestamos nossa contrariedade a essa tentativa de intervenção nos trabalhos da COMELEUFSC.
O conselheiro Jorge Balster, representante do TAEs e coordenador-geral do SINTUFSC, solicitou a retirada do ponto de pauta, afirmando que o CUn não é a instância para deliberar sobre a consulta – papel que cabe à COMELEUFSC. Jorge relembrou a construção histórica desse processo na universidade: “Estamos diante de uma iniciativa que busca quebrar um princípio ético e democrático que tem 43 anos, a autonomia que a comunidade universitária conquistou.”
Na mesma linha, a conselheira Isadora Dymow, representante do DCE, criticou duramente a tentativa de trazer o debate ao Conselho, defendendo que o espaço deve ser utilizado para pautas caras para a universidade: “o papel do Conselho Universitário, a instância máxima dentro dessa instituição é fundamental para debater políticas que vão dar melhores condições para a gente dentro dessa universidade. É pra isso que a gente deve usar desse espaço, para servir a comunidade acadêmica.”
A conselheira também defendeu a retirada da pauta da ordem do dia e afirmou: “A gente está aqui para discutir um processo que já está funcionando dentro da normalidade. É isso que está acontecendo aqui, isso aqui é uma palhaçada, é constrangedor e inaceitável.” Em seguida, destacou a importância da paridade na comissão eleitoral: “nós temos representação paritária na COMELEUFSC e não é porque uma parte dessa comissão está insatisfeita que vai trazer o debate para o CUn para onde é maioria. Isso não é democracia, é autoritarismo e falta de vergonha na cara.”
O conselheiro Renato Milis, representante dos TAEs e também coordenador-geral do SINTUFSC, reforçou a crítica à desproporcionalidade de representação dentro do Conselho e o risco de intervenção em um espaço paritário:
“Para garantir o respeito à democracia, a universidade criou a COMELEUFSC, um espaço paritário, e hoje a gente vê aqui uma intenção de intervenção, de decidir aqui, onde a proporção entre as categorias é muito diferente, onde nós técnicos somos menos de 10% do conselho, onde os estudantes são menos de 10% do conselho. Pergunto pra vocês, há equilíbrio democrático nisso?”
Já o conselheiro Guilherme Rizzatti, também representante dos TAEs e coordenador administrativo e financeiro do SINTUFSC, buscou esclarecer informações que circularam sobre o processo e defendeu a construção coletiva dentro da Comissão:
“Consenso não significa que uma entidade decide e as outras três obedecem, consenso significa construção coletiva e isso exige disposição para negociar e não para bloqueio.”
Rizzatti também destacou que houve proposta intermediária apresentada pela APG para viabilizar o voto online para aqueles que não pudessem votar presencialmente, além de questionar argumentos sobre o calendário eleitoral, lembrando que, na eleição passada, o período de campanha foi mais curto e não houve autoconvocação do CUn.
Representando a COMELEUFSC, o estudante Lucas Burger Jagiello destacou o acúmulo de trabalho da Comissão e rebateu críticas sobre ausência de propostas:
“Queria ter aqui na minha mão um óleo de peroba pra passar na cara de pau daqueles que subiram aqui neste púlpito para colocar que não foi apresentada nenhuma solução, mas foi, sim, apresentada. A APG fez uma proposta pra conciliar todos os impasses dentro da comissão, a proposta era de que todos os estudantes e trabalhadores que não pudessem estar presentes no dia 01/4 poderiam votar pelo e-democracia. Pergunto para todos os professores aqui presentes: isso chegou até a categoria docente? Vocês estavam sabendo dessa proposta?”
Ao final da sessão, prevaleceu o entendimento de que o Conselho Universitário não deveria intervir no processo conduzido pela COMELEUFSC. A proposta de retirada integral da pauta foi aprovada por ampla maioria: 45 votos favoráveis à retirada, contra 7 pela manutenção.
A decisão reafirma a defesa da autonomia da comissão paritária e do processo democrático construído historicamente pela comunidade universitária da UFSC.




