O Sintufsc promoveu o I Fórum Temático dos Técnico-Administrativos da UFSC na manhã desta quarta-feira, dia 28, no hall da reitoria. O tema desta primeira edição foi a democratização da universidade. Participaram como palestrantes Celso Luis de Sá Carvalho, Técnico-Administrativo em Educação da FURG (RS), Diretor da APTAFURG, ex-diretor da Fasubra, e Hilbert Davi, Técnico-Administrativo do IF Pelotas (RS), membro da Comissão Nacional de Supervisão da Carreira.
Celso Carvalho começou fazendo um histórico da luta pela democracia na sociedade brasileira. “Que democracia estamos falando?”, iniciou. Falou da luta dos TAEs que iniciou durante o processo de redemocratização do Brasil. “Começam os questionamentos sobre que universidades nós temos pois elas eram reprodutoras da ditadura. Começamos a questionar o nosso papel”. Inicia aí a luta pela paridade nas instâncias deliberativas.
De acordo com o trabalhador, em uma instituição aristocrática, onde a produção do conhecimento tem dono, pensar que um servidor técnico-administrativo pode produzir ciência e, ainda mais, conduzir uma instituição federal de ensino superior, é absolutamente revolucionário. “Esse pensamento enfrenta e quebra as relações ainda existentes hoje, que são autoritárias”, argumenta.
Celso abordou a forma de produção do conhecimento na sociedade. “Uma universidade democrática que defendemos vai para além de democratizar o poder no interior da própria universidade. Se insere na própria função de como se produz conhecimento? Como se produz ciência? Esse ponto de vista de produzir ciência de modo aristocrático e de modo democrático”, convida à reflexão.
Hilbert Davi iniciou sua fala chamando para a reflexão sobre o atual momento nas universidades. “Esse debate não pode ser um debate em si mesmo. Discutir a universidade é discutir um projeto para a nação”, colocou. Chamou a atenção também para demandas ‘democratizantes’. “As universidades resistiram aos estímulos e às cobranças externas que foram feitas quanto ao seu papel na sociedade”, citando a questão das cotas.
Questionou o papel da universidade na sociedade citando os números do orçamento da UFSC comparando-o com o de muitos municípios do Estado. “A universidade é um bem muito importante para ser cuidado só pela comunidade universitária. Ela é um patrimônio público”, alerta.
Abordou também as relações de trabalho atualmente. “Se olharmos para a forma como nós fazíamos o nosso trabalho nos anos de 1980 e como fazemos hoje existe uma mudança radical sobretudo pela inclusão tecnológica”. De acordo com o trabalhador, isso trouxe uma nova dimensão não só com o ponto de vista do trabalho mas também da relação com a cidade. “Nova possibilidades foram constituídas e ainda não estão suficientemente claras e resolvidas por nós”, explicou Hilbert.
Rafael Pereira, integrante da mesa coordenadora, ressaltou a importância do debate sobre o tema pela categoria. Celso Ramos Martins, integrante da coordenação geral do Sintufsc, avaliou positivamente a realização do fórum. “É muito importante proporcionar esse tipo de evento, trazendo pessoas que trazem outros pontos de vista, outras informações, enriquece o debate local”, explicou.







