Cansados de ver prosperar a política de grupos ligados a partidos no espaço da Fasubra, com práticas que não contribuem para o avanço das lutas, um pequeno grupo de autônomos e independentes decidiu se articular e disputar o poder dentro da Federação. Mas, quando falamos em poder, não estamos dizendo esse que perpetua pessoas, que faz joguinhos, que discute por telefone. A proposta é juntar forças para discutir as questões dos trabalhadores, sempre ligados naquilo que a base decide e encaminha. Todo poder à base de trabalhadores. É ali que está o verdadeiro poder decisório.
Alicerçado nisso, foi lançado um manifesto a todos os companheiros e companheiras do Brasil. Quem quiser se integrar e discutir com a gente é bem vindo. Somos um grupo de pessoas livres, cujo único compromisso é com os trabalhadores. Fazer o debate, pensar saídas, lutar por novas conquistas, buscar o socialismo. Essa é a proposta.
Leia abaixo, o manifesto:
PSLivre
VAL – FASUBRA SINDICAL
Pensamento Sindical Livre: uma articulação de independentes
“Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.”
Antonio Machado
A FASUBRA, desde sempre, é um espaço plural. Ali se articulam e se movem politicamente vários grupos, muitas tendências de pensamento, inúmeras forças organizadas. Por vezes, essas forças se unem, se expandem, se esfacelam, sempre ao sabor do clima político. Neste caldo de lutas existem também aqueles que prezam e pregam o pensamento livre. Que não aceitam ficar amarrados em correntes ou grupos que não respeitem a autonomia das pessoas. São os chamados independentes ou autônomos. Atuam politicamente, participam dos debates, formulam idéias, tomam posições, mas sempre mantendo a liberdade de observar e ler o mundo unicamente sob a ótica da maioria dos trabalhadores, sem amarrações ou compromissos com partidos políticos.
Por conta desta independência e autonomia, estas pessoas também optam por apoiar esta ou aquela idéia, desde que esteja em sintonia com o desejo dos trabalhadores que foram confiados por suas bases de origem. Foi assim que muitos companheiros e companheiras decidiram apoiar a frente de lutas formada pelo grupo Vamos à Luta. Esta frente plural teve como objetivo travar a batalha, principalmente contra o governo Lula que iniciava seu primeiro mandato já penalizando os trabalhadores com a reforma da Previdência, enquanto os grupos existentes na FASUBRA manifestavam franco apoio ao governo petista. Este foi o principal motivo que levou vários independentes e autônomos a assumirem a formação de uma frente de oposição e de luta, contra aqueles que só querem explorar a classe trabalhadora, bem como o povo brasileiro.
Mas, passados os anos, boa parte dos companheiros e companheiras que estiveram juntos na luta contra o governo dentro do grupo do Vamos à Luta, foram percebendo que, no grupo, a luta anti-hegemônica não seu deu da forma como gostariam. Começaram então as críticas e as análises que exigiam mudanças. Mas, essas vozes acabaram não sendo levadas em consideração no processo de luta dentro da direção proporcional, na qual o Vamos à Luta tem vários diretores.
Por conta disso, de forma natural, pessoas com pensamento similar tenderam a se agrupar em discussões conjuntas. E, ao longo dos meses foi ficando claro que havia uma divergência de fundo nos debates com a maioria daqueles que fazem parte da coordenação do Vamos à Luta. Por isso, o grupo que aglutinava independentes e autônomos começou a discutir idéias, sempre com o intuito de traçar estratégias de luta sobre todo e qualquer assunto relacionado aos interesses dos trabalhadores e/ou dos povos de uma forma em geral, sem se preocupar em seguir qualquer cartilha de partido político ou das suas correntes organizadas dentro do movimento sindical.
E é com esta proposição, de buscar construir um mundo verdadeiramente diferente, mas tendo como base as práticas pessoais que se fazem no cotidiano, que esse pequeno grupo foi se consolidando. Cansados de ver membros da direção da FASUBRA seguir seu caminho inexorável de apoio governamental e indignados com a apatia e o conformismo que campeia no movimento político-sindical, começaram a buscar, de forma organizada, respostas adequadas ao momento conjuntural que exige ousadia, trabalho, estudo e capacidade de aglutinação.
Foi assim que nasceu, de parto natural, o Pensamento Sindical Livre, um grupo de livre-pensadores, que debatem e divergem, mas sempre com um objetivo comum: chegar a respostas concretas e viáveis para a luta dos trabalhadores. Assim, construíram uma rede de intercâmbio de idéias, projetos e vivências cujo compromisso é com a luta e não com interesses pessoais ou de aparelhos burocráticos. A busca pelo poder se dá na medida em que pratica o “poder obedencial”, ou seja, aquele que emana da base dos trabalhadores.
O pressuposto básico é o livre direito de pensar e de divergir. Mas sempre de forma respeitosa e sincera. Sem hipocrisias, almejamos sim ocupar cargos de direção, porque é na direção nacional do movimento que podemos facilitar os caminhos para transformações, mas este não é o fim último. Não queremos a perpetuação de oligarquias sindicais e sim dirigentes que se movam verdadeiramente articulados com os anseios da base. O que há neste grupo é o profundo desejo de encontrar caminhos para a conquista de direitos, para vitórias dos trabalhadores, para a construção de um mundo socialista. A luta sindical não pode ficar apenas na “redução de danos”. Precisa avançar para idéias novas, criativas e filhas de seu tempo. Para isso, estas pessoas que pensam e formulam não se furtam de conhecer o pensamento do outro, do que é diferente, do que está do outro lado da margem. Para encontrar o rumo há que se ter conhecimento do que tramam os inimigos e adversários, há que imiscuir-se nas trincheiras deles, mas sem perder-se, sem claudicar. Esse é o desafio de quem pensa de forma autônoma.
O PSLivre está junto com o Vamos à Luta porque entende que existem pontos comuns na forma de encaminhar e no combate às políticas neoliberais do governo Lula. Mas, também se reserva o direito de poder divergir de algumas práticas que impedem o avanço das luta, visto que o VAL não é um monobloco. Uma das divergências, só para citar alguma, é o fato de acompanharmos as propostas que a CUT tem feito sobre a luta dos trabalhadores. Ouvir as propostas, participar dos fóruns onde elas são apresentadas não significa aceitação das mesmas. Muito pelo contrário. Significa que estamos de olho, buscando compreender as armadilhas que se escondem por baixo das boas intenções. Como já ensinava Sun Tzu, desde há cinco mil anos: conhecer o adversário é o primeiro passo para se vencer uma guerra. E a CUT, hoje, muito mais tem aparecido como adversária do que como um espaço de emancipação dos trabalhadores. Temos claro que o nosso compromisso primeiro é com os trabalhadores e não com nossas querelas pessoais ou particulares, ou ainda com as mesquinharias da pequena política.
Os independentes e autônomos articulados no PSLivre não tem nenhum outro compromisso que não a luta dos trabalhadores e a construção do socialismo. Para isso estaremos sempre unidos e coesos. Mas, reservam-se ao direito de exercer seu livre pensar longe das amarras que sufocam membros de coletivos sectários e internistas. Todo e qualquer espaço onde a vida dos trabalhadores estiver em discussão, lá estará o PSLivre. Porque é fundamentalmente livre.
A arte da política é uma das mais dignas que o ser humano pode criar. Inventar mundos, disputar o poder hegemônico, propor novas formas de organizar a vida, mas sempre dentro de um paradigma em que os interesses coletivos fiquem em primeiro lugar. Esse deve ser o sul de quem realmente está imbricado na proposta de mudar o que aí está. O PSLivre é duro na crítica, exigente na postura mas capaz de ser fraterno e companheiro na divergência. Nas fileiras dos que pensam livremente a vida está o exemplo cotidiano de dedicação, estudo e trabalho. Sem uma práxis nova não haverá sindicalismo novo. O PSLivre quer estar à frente deste debate, construindo essa nova práxis, fugindo dos oportunistas e tendo como meta a vitória dos trabalhadores.
Assinam o manifesto oficial PSLivre:
Elaine Tavares (UFSC),
Marco Borges (UFSC),
Rodrigo Borges (UFSC)
Luiza de Marilac Reis (UFOP)
Oscar (UNIRIO)
Benedito Machado (UNIRIO)
Luiz Carlos (UNIRIO)
Antônio Mendonça (UNIRIO)
Christina Faria (UFV)
Ely Rosa (UFV)
Vanda Lucas (UFV)
Paulo Funari (UFPel)
Artemísia Mesquita (UFMS)
José Geraldo Alves (UFTM)
Mirtes Pacheco (UFTM)
Francisco Oliveira (UFTM)
Lurdinha Kashiwabara (UFTM)
Inês Oliveira (UFTM)
Heber Isaias (UFTM)
Loila Rodrigues (UFTM)
Adilson Diniz (UFTM)
Rolando Rubens (UFTM)