Confira ofício encaminhado ao reitor:
Senhor reitor,
Vimos, através deste, manifestar nossa preocupação com as medidas preventivas relacionadas a conter a expansão de casos da influenza A (H1N1) no âmbito da UFSC. Na última sexta-feira, 11 de setembro, perdemos um nosso colega de trabalho Ricardo Tadeu Dias, trabalhador técnico-administrativo do Centro de Ciências Jurídicas – CCJ, e estranhamos que essa notícia tenha sido apenas divulgada no link do CCJ no portal da UFSC na internet. Sequer ocorreu, como em outros momentos, que a morte de um trabalhador desta universidade fosse registrada no portal da universidade, na página de notícias, para amplo conhecimento da comunidade universitária.
Apenas no link do CCJ – repetimos – foi registrada uma nota do falecimento de Ricardo Tadeu Dias, bem como outra nota, no dia 1º de setembro, sem qualquer destaque no título, informando que: “A Biblioteca Setorial do CCJ encontra-se fechada devido ao Coordenador – Funcionário Ricardo Tadeus Dias estar internado em estado grave no Hospital de Caridade com suspeita da Gripe H1N1. O funcionário Alex Martins está realizando exames, pois apresenta também alguns sintomas.”
Tivemos notícias de outros trabalhadores com suspeita de estarem com a gripe A (H1N1), em setores como o Colégio de Aplicação, onde também registraram-se casos de crianças e adolescentes inclusive terem sido internados, mas nada disso foi tratado pela administração de forma aberta. Concordamos que não se deva atuar com alarmismo, mas também pensamos que não se possa encobrir uma realidade que está escancarada diante de nós, inclusive com pacientes dentro do próprio Hospital Universitário, onde já há confirmados casos de morte em conseqüência da influenza A (H1N1). Agora, um caso de morte acaba de acontecer dentro da própria UFSC, entre seus trabalhadores, e a probabilidade é de que tenha sido ocasionada pela gripe A (H1N1).
Como já enfatizamos, preocupa-nos sumamente o fato de que a UFSC não esteja divulgando tais situações, assim como orientando, de forma contínua, a comunidade universitária e a população, como cabe a uma instituição que “produz” saber. Quem abre o portal da UFSC na internet não encontra sequer informações, num link permanente, relativamente aos riscos e às medidas preventivas necessárias para conter a disseminação do vírus no ambiente do campus, que é freqüentado diariamente por milhares de pessoas, muitas vezes em ambientes fechados de salas de aula, laboratórios e auditórios. Muito menos se percebe uma atuação concreta, real, porque se sabe que a comunicação apenas virtual é limitada e não atinge muitos servidores da UFSC, que não têm nem mesmo um computador em seu local de trabalho.
Também não conhecemos orientações públicas por parte do Centro de Ciências da Saúde da UFSC que “tem por finalidade a produção, sistematização e transmissão do saber na área das Ciências da Saúde, contribuindo para a melhoria da saúde da população, formando e norteando a formação, tanto do ponto de vista técnico quanto humano, de profissionais da área da saúde capacitados a desenvolverem o pensamento crítico e científico, de forma a atuarem concretamente em prol da saúde individual e coletiva.”
Na UFSC, não vimos que fosse dada qualquer orientação explícita, e amplamente divulgada, de orientações às direções e chefias, para que fossem lacrados os bebedouros públicos instalados em todos os prédios do campus. Eles continuaram, todo esse tempo, normalmente disponíveis para serem utilizados.
Manifestamos também nossa preocupação pelo fato de que a UFSC esteja “convocando” as gestantes a retornarem às atividades na universidade, apenas baseada na informação da Secretaria da Saúde de Santa Catarina que, liberou, na quinta-feira, dia 10 de setembro, a realização de eventos públicos e o retorno das grávidas ao trabalho. Pensamos que seja insuficiente basear-se na informação de que o risco de transmissão está menor, quando acaba de morrer um trabalhador na UFSC, provavelmente em conseqüência da influenza A (H1N1). Tem sido dito, pelo próprio Ministério da Saúde e pela Anvisa, que a primavera, por causa da maior incidência de casos de doenças respiratórias, ainda é um período para manter o estado de alerta.
Nesse sentido, diante do compromisso que esta universidade pública deve ter com a população e sua própria comunidade universitária, apelamos para que sejam tomadas medidas concretas para informar e combater a disseminação desta doença, que continua a rondar o ambiente da sociedade e também a UFSC, que faz parte dela.
Apelamos ainda para que a administração da UFSC reveja a decisão de “convocar” as gestantes a retornar às suas atividades, entendendo que o risco ainda está muito presente, e que é uma imensa responsabilidade colocá-las em perigo.
Esperando uma urgente resposta para essas demandas, colocamo-nos à disposição para contribuir na difusão das medidas informativas e preventivas tomadas.
Atenciosamente,
Coordenação Geral do Sintufsc