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Líder comunitário sofre tentativa de homicídio

O líder comunitário Modesto Azevedo, ex-presidente da União Florianopolitana de Entidades Comunitárias (Ufeco), foi alvo de uma tentativa de homicídio na noite do dia 10 de setembro, quinta-feira passada. Dois homens seqüestram Azevedo na Praça XV de Novembro, o amarraram e o levaram de carro até o aterro da obra da Via Expressa Continental, no Estreito, onde jogaram um líquido inflamável sobre seu corpo e atearam fogo.

Os criminosos fugiram do local e Modesto conseguiu rolar na areia e apagar o fogo. Em seguida, ele conseguiu pedir ajuda e foi levado para o Hospital Universitário, onde foi atendido e passa bem.

O ex-presidente da Ufeco já prestou depoimento e a polícia investiga o caso. Ainda não está esclarecido se a tentativa de homicídio está relacionada com a militância de Modesto em defesa da cidade e do meio-ambiente.

Conheça um pouco da história do militante

Homem de luta, Modesto segue a vida entre manifestações, no meio do povo

Ele é um homem de baixa estatura, rosto arredondado e sotaque arrastado. Sempre está de camisa de botão, calça social e sapatos tradicionais. O cabelo é escuro e enrolado. O sorriso no rosto é uma característica marcante. Mesmo nos momentos em que vai protestar, ali está o rosto sorridente. Carrega uma pasta escura, cheia de documentos, textos e processos judiciais. Nasceu na Bahia, de todos os santos. Sua cidade natal é Santa Rita de Cássia. Aos seis anos foi para São Paulo com a família. Em 1997, já homem feito, mudou-se para Santa Catarina, Florianópolis. Modesto Azevedo é presidente da UFECO – União Florianopolitana de Entidades Comunitárias, que tem sua sede na Prainha. A Ufeco representa dezenas de entidades comunitárias da capital catarinense e está envolvida em grande parte das mobilizações populares que acontecem na região. Está no Núcleo Gestor do Plano Diretor Participativo, nos Conselhos Comunitários de Meio Ambiente, Transporte, Educação. Por conta disso, é fácil encontrar o Modesto em manifestações no centro da cidade, nas audiências públicas, em frente ao Shopping Iguatemi, no Shopping Floripa. Vira e mexe ele participa das ocupações do MST. Também ajudou a organizar o Abril Vermelho Urbano em Florianópolis, pois faz parte da União Nacional Pela Moradia Popular e está participando da Campanha Nacional Pela Moradia, com focos nas principais regiões do país. O Abril Vermelho aconteceu simultaneamente em 15 estados brasileiros. Em Florianópolis, também houve ocupação. Modesto alerta que a Capital hoje está com 62 pontos de “favelização”, o que ele chama de “princípio de caos urbano”. Os pontos mais críticos, segundo ele, são a Vila Arvoredo/ Favela do Siri, com aproximadamente 200 famílias, Ponta do Leal, Vila Aparecida, Jardim Boa Vista, Vila Santa Rosa. “Enfim, existem muitos lugares nos quais as pessoas vivem em situação delicada”. Ele defende uma Reforma Urbana e Agrária, e acredita que a integração entre e campo e a cidade é um caminho a ser seguido para se chegar a uma sociedade justa e um planeta sadio. Por isso, a luta dentro do processo do Plano Diretor. “O núcleo gestor ainda tem muitos problemas.

Precisamos avançar mais”. Modesto é um homem corajoso. Está sempre na luta contra os numerosos empreendimentos imobiliários e comerciais que não param de crescer na cidade. Já deu muito a cara para bater, e enfrentou gente poderosa. No processo de instalação do Floripa Shopping e do Iguatemi, por exemplo, participou de todas as audiências públicas e ajudou a promover os protestos que aconteceram contra as construções. Com a pasta sempre cheia de documentos que alertam para as irregularidades, encaminhou denúncias e solicitou audiências com o Ministério Público e a Polícia Federal. Nunca teve medo de bradar a alta voz: “Está claro que existe irregularidade. As licenças vão contra as leis ambientais. Sempre soubemos disso”. Recentemente, dias antes de a Polícia Federal deflagrar a “Operação Moeda Verde”, ajudou a organizar e participou da manifestação que aconteceu debaixo de chuva, em frente ao Shopping Iguatemi. Uma das faixas questionava: “Shopping, invadir mangue não é crime?” Dito e feito. Dias depois a polícia realizaria a operação que entra para história do Estado. Vinte e duas pessoas, entre políticos, servidores públicos e grandes empresários vão parar na cadeia por serem acusados de envolvimento em um grande esquema de compra e venda de licenças ambientais. Modesto, junto com grande parte do movimento social e ambiental, comemorou. “Chega de impunidade”. Modesto Azevedo parece onipresente. Ele também faz parte do Conselho Consultivo do Sistema de Transportes de Florianópolis. Luta pelo transporte público, pelos preços justos e pelo passe livre para os estudantes, bandeira levantada pelo movimento que se tornou símbolo de luta popular em Florianópolis, o MPL. Foi essa garotada, junto com outros militantes sociais, que encampou diversas batalhas contra o poder do capital e muitas vezes enfrentou a polícia e teve dezenas de manifestantes presos e feridos. Homem de luta, Modesto segue assim, entre manifestações, ocupações e audiências. Não teme os detentores do poder. Para cobrar punição aos políticos envolvidos no esquema de comercialização de licenças ambientais, principalmente da Polícia Federal, que garante ter provas de que Juarez Silveira vereador e líder do governo do prefeito Dário Berguer seja um dos líderes do esquema, ajudou a organizar, no começo do mês, uma manifestação em que os participantes lavaram a calçada e o pátio em frente à Câmara dos Vereadores da capital, fazendo uma limpeza simbólica da Casa do Povo.

Junto com o Movimento Passe Livre de Florianópolis também está organizando manifestações populares que pedem o impedimento do prefeito. Azevedo promete ir em frente, lutando e defendendo os interesses dos menos favorecidos. Pasta na mão, sorriso sempre estampado na cara. Os dedos da pequena mão secam as gotas de suor que escorrem da testa. Hora de seguir. Até a próxima manifestação.

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