Texto de Priscila dos Anjos
Novamente, o Governo Bolsonaro corta orçamento das Universidades Federais; Instituições ficam sem ter como honrar pagamentos e milhares de estudantes ficam sem remuneração para o custeio de suas vidas
É final de semestre na UFSC. O dia é 5 de dezembro. Milhares de estudantes da pós e da graduação estão se preparando para fazer as últimas provas do ano e entregar os trabalhos que decidirão uma parte significativa de suas notas. A concentração necessária para finalizar o semestre é dissipada com a notícia de que, pela terceira vez no ano, o Governo Bolsonaro bloqueara o orçamento das instituições federais, agora, atingindo diretamente o pagamento de bolsas estudantis a nível de graduação e pós.
De acordo com a Pró-reitora de Permanência e Assuntos Estudantis da UFSC, Simone Sobral Sampaio até o dia 9 de dezembro, 1730 bolsas estudantis não foram pagas, 943 estudantes não receberam auxílios moradia, 12 famílias ficaram sem auxílio creche, 133 estudantes indígenas e quilombolas ficaram sem bolsas e 308 estudantes não receberam o auxílio internet. A Pró-Reitoria de Pesquisa publicou nota afirmando que 1.653 bolsistas da CAPES que desenvolvem pesquisas na UFSC estavam sem receber suas remunerações.
Com as bolsas estudantis em atraso e a impossibilidade de pagar suas contas, alguns estudantes largaram canetas, cadernos, computadores para participar dos espaços coletivos de organização da luta estudantil na UFSC. Movimento que também ganhou outras Universidades brasileiras. A primeira Assembleia do movimento foi chamada pelo Diretório Central dos Estudantes da Universidade, e ocorreu em 7 de dezembro. Entre os encaminhamentos, os estudantes decidiram realizar uma paralisação nos dias 8 e 9 de dezembro, e uma reunião com a reitoria para reivindicar condições que não prejudicassem academicamente os estudantes em paralisação.
O SINTUFSC se fez presente na Assembleia. A coordenadora-geral do Sindicato, Giana Carla Laikovski, afirmou na reunião que o Sindicato estava se somando às atividades de mobilização chamadas pelos estudantes, mas que não poderia aderir à paralisação, sem antes discutir com a categoria na Assembleia Geral da entidade. “Essa luta em defesa da Universidade é uma luta nossa. A gente precisa se mobilizar enquanto base de estudantes e de trabalhadores. Mas a gente também precisa que a gestão da Universidade, além de fazer o seu trabalho junto a Andifes, nos dê condições para que possamos nos mobilizar. Precisamos de respaldo político da reitoria para que os trabalhadores possam participar de mobilizações”, afirmou Giana Carla Laikovski. Seguindo as regras estatutárias, uma Assembleia Geral foi marcada para o dia 13 de dezembro.
No mesmo dia, o SINTUFSC também participou da Assembleia organizada pela Associação dos Estudantes de Pós-graduação da UFSC. A coordenadora do Sindicato, Juliane Pasqualeto, também frisou a necessidade de um respaldo da reitoria: “A atual gestão precisa nos dar um respaldo, para que a categoria dos técnicos possa participar desta paralisação estudantil sem que sejam prejudicados, já que por questões estatutárias estarmos impedidos de chamar uma assembleia antes da paralisação de amanhã. Pois nós da direção do SINTUFSC sabemos que é essencial que possamos nos somar na luta contra os cortes orçamentários, ainda mais neste momento em que os cortes estão atingindo os salários dos pesquisadores e estudantes.
Durante a paralisação dos dias 8 e 9 de dezembro, a Reitoria publicou nota oficial mantendo as atividades acadêmicas e administrativas e delegando aos setores a decisão pela liberação de funcionários. A medida impossibilitou que os técnicos-administrativos da UFSC participassem de atividades referentes à mobilização em defesa da educação. No dia 8, os estudantes fecharam as entradas da UFSC com barricadas em Florianópolis e Araranguá. Na segunda-feira, 12 de dezembro, foi realizada uma Assembleia Unificada (estudantes, pós-graduandos e técnicos-administrativos), que avaliou como vitoriosa a atividade de paralisação, que sinalizou para a sociedade e a comunidade acadêmica a urgência de uma mobilização engajada.
Em 13 de dezembro, o SINTUFSC realizou uma Assembleia com a categoria para debater o apoio às atividades de mobilização contra os cortes orçamentários. Após amplo debate a Assembleia aprovou que o SINTUFSC faça parte de uma comissão de luta em defesa da educação e contra os cortes. O Sindicato também irá publicar uma nota de apoio às mobilizações estudantis em torno desta pauta. Na mesma data, a diretoria encaminhou para o gabinete da Reitoria da UFSC um ofício que solicita informações sobre o impacto dos cortes orçamentários no pagamento de contratos a empresas terceirizadas e por consequência, sob os trabalhadores que prestam serviços variados na instituição.




