Por: Paulo Barela – GT – Trabalhadores do Serviço Público
Jornada de luta contra a aprovação do PLP-92/2007 arrancou audiência com presidente da Câmara Michel Temer
Cerca de 4 mil trabalhadores públicos federais, vindos de todos os estados do país, realizaram uma série de atividades em Brasília no dia de hoje. As manifestações fazem parte do calendário de mobilização da CNESF – Coordenação Nacional das Entidades dos Servidores Federais e do Fórum Nacional de Mobilização contra o PLP-92/2009, com apoio da Conlutas, Intersindical, CUT e CTB. Os trabalhadores federais protestaram contra a aprovação do projeto que cria as Fundações Estatais de Direito Privado, que privatiza diversos setores da administração federal, e também pela exigência de que o governo Lula pague os reajustes salariais contidos nos acordos firmados com as entidades no ano passado.
Marcha na Esplanada – Desde antes das nove horas da manhã, as entidades já organizavam as caravanas que chegavam à Catedral, palco da concentração dos milhares de trabalhadores e início da marcha por Brasília. Por volta de 10 horas da manhã o carro de som puxou a marcha que fez duas paradas para manifestação das entidades presentes.
A primeira parada foi no prédio do Ministério do Planejamento, onde os oradores condenaram a política do ministro Paulo Bernardo, que até agora não garantiu o cumprimento dos acordos salariais com os trabalhadores. O discurso mais ouvido é que os trabalhadores públicos não vão pagar pela crise e a exigência de pagamento dos reajustes.
A segunda parada, no Ministério da Saúde, teve como alvo o ministro Temporão que recentemente chamou de vagabundos os trabalhadores que estão contra o projeto de privatização dos serviços públicos. A palavra de ordem mais cantada pelos manifestantes foi “Ôôô Lula, que papelão; esse projeto é privatização”! O companheiro Saulo Arcangeli, da Conlutas, afirmou que “este ato é um marco para a unidade dos servidores e alavanca as ações de luta pela não aprovação do projeto das fundações estatais. A Conlutas apóia o movimento e dedicará todo o seu esforço de organização para levar ao conjunto da classe trabalhadora a necessidade de se mobilizar contra a destruição do serviço públicoque vem sendo patrocinado pelo governo Lula”, completou Saulo.
Ato no Nereu Ramos. Parlamentares apóiam movimento – Apesar das várias horas de estrada, os manifestantes não demonstravam cansaço e tão logo terminado o ato no Ministério da Saúde, se dirigiram para o Congresso Nacional, onde a CNESF já organizava um novo ato político no Auditório Nereu Ramos, da Câmara Federal. O auditório, com capacidade para mil pessoas, ficou pequeno para os quase 1.300 presentes. Ao longo das galerias da Câmara, vários grupos se revezavam pressionando os parlamentares pela não aprovação do projeto privatista.
A mesa dessa atividade foi composta pela CNESF e pelas centrais sindicais. Vários parlamentares foram levar sua solidariedade ao movimento; Vicentinho PT-SP informou que a bancada do PT fechou questão contra a aprovação do projeto. As bancadas do PCdoB e PSB também confirmaram a mesma posição. A deputada Solange Almeida, PMDB-RJ, informou que seu partido está dividido quanto ao projeto, mas colocou-se contra sua aprovação e convidou todas as entidades para uma audiência pública sobre o PLP-92 no dia 07 de julho. Chico Alencar, P-Sol/RJ, reafirmou a posição do partido contra o projeto e, junto com os demais parlamentares, articulou uma audiência com o Presidente da Câmara, Michel Temer.
As posições manifestadas pelos parlamentares são importantes para a derrota do projeto, porém o movimento não deve dar trégua e exigir que esses partidos mantenham seus compromissos em relação ao projeto. No caso do PT, não basta apresentar posição contra o projeto, mas pressionar o governo pela sua retirada, afinal este é o partido do presidente Lula, que é o principal defensor da privatização.
Presidente da Câmara recebe delegação dos trabalhadores
A audiência com o Presidente da Câmara, Michel Temer, contou com a presença de vários parlamentares e representação das entidades da CNESF e centrais sindicais. Temer foi lacônico ao dizer que a votação ou não do projeto não depende da presidência da Câmara, mas de uma posição a ser adotada pelo colégio de líderes. No entanto, afirmou que não colocará o projeto em votação nesta semana. No final da audiência, o companheiro Fernando Molinos, representando a CNESF, entregou um documento do Fórum Nacional de Luta Contra o PLP-92/07 exigindo o arquivamento do projeto pelos seus pressupostos inconstitucionais, configurados em provimento parcial do Pleno do STF – Supremo Tribunal Federal.
As atividades realizadas em Brasília no dia de hoje demonstram a força da unidade dos servidores federais e a possibilidade de derrotar o projeto de privatização dos serviços público, proposto pelo governo Lula. Foi um importante golpe contra a tramitação no Congresso e aprofunda as contradições existentes nas várias bancadas partidárias. Agora é seguir com a mobilização, intensificando ações nos estados e organizando uma nova atividade nacional, quando da audiência pública sobre o projeto, que será realizada no dia 07 de julho.
Presença marcante da Conlutas – A Conlutas marcou presença nestas atividades dirigindo o ato público na Esplanada e intervindo em todas as atividades. O próximo passo e organizar os trabalhadores do setor privado para combinar ações contra o projeto, uma vez que essa não deve ser apenas uma tarefa do funcionalismo publico. O que está em jogo é o desmonte do serviço público, a precarização desses serviços e a privatização generalizada na administração pública. Por isso, a Conlutas deve convocar os sindicatos, movimentos populares e a juventude para avançar na organização das próximas mobilizações que ocorrerão a seguir, dentre elas uma manifestação quando da audiência pública no Congresso Nacional dia 07 de julho.
Brasília, 17 de junho de 2009.
Paulo Barela
GT – Trabalhadores do Serviço Público




