Ontem, dia 25 de novembro de 2025, foi dia de uma vitória histórica para os técnicos-administrativos em educação e para a Universidade Federal de Santa Catarina. Por ampla maioria, 48 votos favoráveis e apenas três contrários, foi aprovada a minuta da política de Teletrabalho, Flexibilização da Jornada e Controle Social da Frequência.
A decisão é histórica porque consolida uma luta de décadas da categoria pelas 30 horas e por um modelo próprio de controle social. Em entrevista ao Sintufsc, a pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Sandra Regina Carrieri de Souza, lembra que, por imposição do Ministério Público, a UFSC quase chegou a instalar ponto eletrônico, catraca, câmera e biometria. Isso impulsionou os técnicos a construir alternativas.

Renato Milis, diretor do SINTUFSC e conselheiro no CUn, destacou em sua fala na sessão que a institucionalização da flexibilização impede que “a nossa jornada de trabalho seja usada como moeda de troca” e contribui para a valorização e permanência dos TAEs. Segundo ele, “hoje a nossa categoria tem uma alta rotatividade, os salários da nossa categoria são os mais baixos do serviço público (…). Que os trabalhadores se mantenham na universidade é de interesse da instituição (…). Essa política é uma forma de a gente tentar segurar os trabalhadores na UFSC.”

Mesmo sob o arcaico modelo 70/30, no qual 70% do peso nas decisões no CUn é dos docentes, enquanto os outros 30% são divididos entre os demais, a minuta, composta por 86 artigos distribuídos em 15 capítulos, foi aprovada graças a um instrumento antigo: a pressão.

O desenvolvimento e a implementação dos projetos-piloto e, agora, política institucionalizada, foram marcados por estudo dos diversos cargos, setores e atividades desempenhadas pelos técnicos-administrativos da UFSC, assembleias setoriais, audiência pública, participação das categorias e ajustes progressivos. Um verdadeiro exercício de gestão democrática.
A experiência da UFSC comprovou que é possível, com base no princípio constitucional da autonomia universitária, construir modelos de organização do trabalho alinhados à realidade institucional, com escuta ativa da comunidade, valorização de todas as funções que sustentam a universidade pública e transparência nos processos.

A mobilização coletiva demonstrou, mais uma vez, a força da organização das trabalhadoras e dos trabalhadores, garantindo essa vitória!






