A greve nacional dos técnico-administrativos em educação (TAEs) ultrapassou os 100 dias de duração. Em Brasília, o Comando Nacional de Greve (CNG) segue pressionando o Governo Federal pela abertura de uma mesa de negociação e pelo cumprimento integral do acordo firmado em 2024. Ao longo da última semana, a categoria realizou atividades de formação, articulações com parlamentares e atos públicos. A mobilização conquistou um avanço: a publicação da portaria que regulamenta a jornada de plantão 12×60 para servidores dos hospitais universitários ou cedidos à EBSERH, uma das demandas da greve.
Na terça-feira (9), os grevistas participaram de uma atividade de formação sobre a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027 e seus impactos na próxima campanha salarial dos servidores federais. O debate destacou a importância de iniciar desde já a disputa pelo orçamento público, condição fundamental para viabilizar futuras conquistas da categoria. Já foi protocolado ofício do Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe), junto ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), solicitando a abertura das discussões orçamentárias para garantir a previsão de recursos destinados às reivindicações dos servidores.
No mesmo dia, os TAEs participaram do ato nacional “Criança Não é Mãe”, a atividade reuniu movimentos sociais, entidades sindicais, organizações feministas e de defesa dos direitos humanos e parlamentares com o objetivo de denunciar o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) nº 3/2025, aprovado pelo Senado Federal. A proposta revoga a Resolução nº 258/2024 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), o que representa um grave retrocesso na garantia ao aborto legal de crianças e adolescentes vítimas de estupro.
Já na quarta-feira (10), o CNG acompanhou os trabalhos das Comissões de Educação e de Saúde da Câmara dos Deputados. Além de dialogar com parlamentares sobre as reivindicações da categoria, os representantes da FASUBRA obtiveram manifestações públicas de apoio dos deputados Tarcísio Motta e Heloísa Helena. Durante a tarde, a mobilização prosseguiu com visitas aos gabinetes parlamentares e a entrega de ofícios solicitando apoio para o avanço das negociações junto ao Governo Federal.
O dia também marcou uma importante conquista da greve. Foi publicada a Portaria MGI nº 4.778/2026, que regulamenta a jornada de trabalho em regime de plantão 12×60 para servidores federais em exercício nos hospitais universitários ou cedidos à EBSERH. No entanto, os vigilantes não foram incluídos na Portaria. A FASUBRA fez contato com o MGI para que sejam incluídos, em resposta, o Ministério disse que verificaria se a inclusão será nesta Portaria já lançada ou em uma própria para os vigilantes.
Na quinta-feira (11), os grevistas realizaram novo ato em frente ao MGI. Durante a atividade, foi protocolado um pedido de audiência com a ministra Esther Dweck e reiterada a reivindicação pela instalação de uma mesa de negociação.
No período da tarde, o CNG promoveu uma atividade de formação sobre a Comissão Interna de Saúde e Segurança do Trabalho do Servidor Público (CISSP). Também foi encaminhada uma carta à ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, solicitando apoio para o fortalecimento do diálogo institucional e para o avanço das pautas da categoria, com destaque para a publicação do decreto que regulamenta o Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), uma das principais reivindicações da greve.
Na tarde desta sexta-feira, 12, o CNG reuniu-se em Plenária, definindo parte da agenda para a próxima semana. Hélio Rodak, representante da UFSC no CNG, destacou as atividades de terça e quinta-feira na Casa Civil da Presidência da República, para pressionar pela assinatura da Portaria do RSC. Segundo Hélio, tem-se a expectativa de se conseguir respostas sobre o RSC nos próximos dias.




