Às vésperas das eleições de 2026, o SINTUFSC e o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFSC reuniram candidatas e candidatos ao Senado, à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa de Santa Catarina para debater o futuro das universidades públicas, o financiamento da educação e as condições de trabalho e permanência na instituição.
Na abertura do encontro, a coordenadora-geral do SINTUFSC Gabriela Furtado Carvalho destacou o papel estratégico das universidades públicas na construção da soberania nacional e na produção de conhecimento científico, artístico e tecnológico conectado às necessidades da sociedade. Também ressaltou que defender a universidade significa defender as pessoas que a constroem diariamente: estudantes, técnicos administrativos em educação (TAEs), docentes e trabalhadores terceirizados.
O encontro buscou trazer as candidaturas para dentro da universidade, criando um espaço para que a comunidade conheça suas posições e compromissos com a educação pública. As inscrições ocorreram por meio de chamada pública, e o evento foi aberto a todas as candidaturas.
Candidaturas ao Senado
Afrânio Boppré (PSOL) defendeu a autonomia universitária e a soberania das instituições nas decisões sobre ensino, pesquisa e extensão. Economista formado pela UFSC, relacionou a defesa da universidade à construção de um país soberano e socialmente justo. “Defender a universidade é defender a justiça social. É dizer que o Brasil é soberano.”
Ana Lúcia da Ferreira Machado (UP) defendeu educação pública, gratuita e de acesso universal em todos os níveis, recomposição dos orçamentos das universidades e institutos federais, ampliação da assistência estudantil, concursos públicos e fim das terceirizações. Também propôs a destinação de 10% do PIB à educação pública. “A universidade não está isolada do restante da sociedade.”
Candidaturas à Câmara dos Deputados
Kerexu Yxapyry (PT) relatou sua experiência como estudante indígena da UFSC e destacou a necessidade de avançar nas políticas de permanência para indígenas, negros, mães e outros grupos. Também defendeu a aproximação entre universidade e comunidades por meio da extensão. “Quero, como cientista, mudar o sistema e vejo na universidade um espaço muito oportuno para fazer isso.”
Professor Elson (PSOL) apontou a crise orçamentária, os ataques à autonomia e a desqualificação do conhecimento produzido nas universidades como problemas centrais. Para ele, é necessário ampliar os recursos destinados às instituições. “A universidade tem um papel de combater as desigualdades e, hoje, mais do que nunca, ser um instrumento da construção da soberania nacional.”
Mirê Chagas (PSOL), assistente social formada pela UFSC e uma das responsáveis pela construção, implementação e aprovação das cotas para pessoas trans na Universidade, enfatizou as políticas de cotas e permanência estudantil, além das condições de infraestrutura da instituição. “Sou filha das políticas de cotas e luto para ampliá-las. Estudantes que vêm da periferia, assim como eu, precisam conseguir entrar e se formar.”
Amanda Wenceslau (UP) defendeu o aumento do orçamento das universidades, a ampliação da assistência estudantil e o acesso universal ao ensino superior. “Para as universidades públicas continuarem existindo e continuarem de portas abertas, a gente precisa aumentar o orçamento.” Também apresentou o programa da UP de enfrentamento aos grandes ricos, empresários e banqueiros.
Victor Gaspodini (PSOL) relacionou educação, ciência e pesquisa ao desenvolvimento e à soberania nacional e criticou as políticas de austeridade que limitam o financiamento das universidades. Também enfatizou a gravidade que atribui ao cenário eleitoral deste ano. “O que está em jogo é se vamos virar uma colônia dos EUA ou se vamos continuar com altivez internacional e soberania. […] Está em jogo nesta batalha o futuro da educação pública. Se ela vai servir para a classe trabalhadora ou para a burguesia.”
Simone Medeiros Martins (PSOL) destacou a necessidade de recomposição e ampliação do orçamento e colocou a permanência estudantil, especialmente de mães estudantes, entre suas prioridades. “É impossível querer que a universidade produza ciência e tecnologia, tenha professores e funcionários atuantes sem orçamento.”
Professor Canguru (PSOL), professor da rede municipal e dirigente do Sintrasem, falou de sua trajetória ligada à educação pública. Defendeu a valorização dos trabalhadores da educação e a ampliação da assistência estudantil. “Não existe educação, universidade, sem o recurso humano que constrói a educação.” Também abordou a importância da autonomia do PSOL para, ao mesmo tempo, defender a reeleição de Lula diante do avanço da extrema direita e cobrar do governo o fortalecimento da educação, dos serviços públicos e de seus trabalhadores.
Carla Ayres (PT) relacionou a defesa da universidade pública à própria trajetória e defendeu a valorização dos TAEs e as políticas de permanência estudantil. Abordou ainda o desmonte do orçamento destinado às políticas públicas a partir de 2016 e criticou as emendas parlamentares impositivas, que classificou como “a maior distorção do pacto federativo orçamentário da história desse país”. “A defesa da universidade pública para mim não se constitui apenas como uma plataforma eleitoral, porque eu sou fruto da universidade pública.”
Drag Urbana (PSOL), formada em Arquitetura e Urbanismo pela UFSC e mestranda em Planejamento Urbano, defendeu o fim do arcabouço fiscal e uma política orçamentária orientada por metas sociais, ambientais e de soberania. Também relacionou a permanência estudantil às políticas de habitação e transporte. “Não tem como falar em permanência estudantil sem debater a cidade.”
Samara Madureira (PSOL) destacou sua trajetória na escola pública e na universidade federal e defendeu concursos públicos, a destinação de 10% do PIB para a educação, o fim do arcabouço fiscal e maior tributação sobre os mais ricos. “A universidade foi fundamental na minha vida. Sou a primeira pessoa da minha família a entrar na graduação.”
Valmir Nena (PSOL), servidor público da saúde e sindicalista, enfatizou a organização dos trabalhadores e a necessidade de garantir instrumentos de negociação para o funcionalismo, além de questionar a tese do déficit público. “Nós temos que ter direito à negociação coletiva de trabalho.”
Candidaturas à Assembleia Legislativa
Marquito (PSOL) ressaltou que, embora deputados estaduais não decidam diretamente sobre o orçamento das universidades federais, a UFSC tem impacto no desenvolvimento de diferentes regiões catarinenses. Defendeu a autonomia universitária e a valorização dos TAEs. “O estado só é desenvolvido porque temos universidades públicas, fundamentais para o desenvolvimento econômico e qualificado.”
Vitória Pedroni (PSOL), estudante de Geografia da UFSC, relacionou os problemas de infraestrutura aos cortes orçamentários e defendeu maior financiamento para a educação. Também afirmou que os ataques da extrema direita às instituições de ensino não são recentes, citando o movimento Escola sem Partido. “Não é possível ter um país soberano sem financiamento à educação.”
Professora Iza (PSOL), professora da rede municipal de Florianópolis, abordou a precarização das carreiras do serviço público, as mobilizações dos trabalhadores e a defesa da educação pública. “A precarização da carreira dos servidores públicos e do ensino é um projeto que quer destruir.” Também defendeu o enfrentamento à extrema direita para além das eleições e criticou o avanço das Parcerias Público-Privadas sobre a educação e os serviços públicos.
Camasão (PSOL), vereador de Florianópolis, afirmou que um mandato na Assembleia Legislativa pode atuar em aliança com estudantes, TAEs e movimentos sociais, mesmo sem competência direta sobre o orçamento da UFSC. “Vocês terão no nosso mandato um aliado. Um aliado dos estudantes, dos TAEs.” Também colocou o enfrentamento à extrema direita entre as prioridades de sua candidatura e afirmou que pretende atuar por meio da denúncia, fiscalização e judicialização, além de dar voz às pautas dos movimentos e categorias organizadas.
Professor Cadu (PT) destacou o papel das universidades na produção de conhecimento baseado em fatos, evidências e razão. “Há um ataque deliberado ao saber, a um determinado saber, aquele que tem como premissa fatos, evidências, razão.” No âmbito estadual, criticou a política de renúncias fiscais do governo Jorginho Mello, que, segundo ele, retirou R$ 107 bilhões do orçamento, com impactos também sobre a Udesc.
Apesar das diferentes trajetórias e propostas apresentadas, as falas convergiram em temas que atravessaram todo o encontro: a necessidade de ampliar o financiamento das universidades públicas, garantir condições de permanência aos estudantes, valorizar os trabalhadores da educação e defender a autonomia universitária. A relação entre educação e soberania nacional também apareceu de forma recorrente, assim como as críticas às políticas de austeridade e aos ataques às instituições de ensino. Ao promover o encontro, SINTUFSC e DCE buscaram colocar essas pautas no centro do debate eleitoral e reafirmar a universidade como espaço de diálogo e participação política.
A candidata à reeleição Ana Paula Lima (PT) não pôde comparecer ao encontro, mas enviou uma carta com os seus compromissos com a universidade pública. Leia aqui a carta.
O candidato a deputado estadual Maurício Couto e a candidata a deputada federal Andiara Ferreira, ambos do partido Missão, estiveram presentes no espaço, mas não ficaram para o momento das falas por conflito de agenda.
Confira a gravação completa do encontro no canal do SINTUFSC no YouTube.






















