Em outubro, os brasileiros escolherão presidente, governadores, deputados federais e estaduais e senadores. Essas escolhas têm impacto direto na vida dos trabalhadores. É no Congresso que são votadas mudanças na jornada, remuneração, previdência e direitos trabalhistas, além do financiamento de políticas como educação, saúde e assistência social.
JORNADA DE TRABALHO ESTÁ EM DISPUTA
A discussão sobre o fim da escala 6×1 é um exemplo concreto de como as decisões tomadas no Congresso chegam à vida cotidiana de milhões de trabalhadores.
Segundo o Ministério do Trabalho, só em SC cerca de 1 milhão de trabalhadores serão beneficiados pela redução da jornada. Ainda assim, entre os 22 parlamentares que votaram contra o fim da 6×1, dez são de SC: Carlos Chiodini (MDB), Caroline de Toni (PL), Daniel Freitas (PL), Daniela Reinehr (PL), Fábio Schiochet (PL), Gilson Marques (Novo), Julia Zanatta (PL), Pezenti (MDB), Ricardo Guidi (PL) e Zé Trovão (PL). Todos disputam as eleições de 2026.
INIMIGO DECLARADO DOS TRABALHADORES
Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, foi contrário ao fim da escala 6×1 e é signatário da PEC 12/2026, que permite a contratação por hora. Essa medida pode significar renda instável e até inferior ao salário mínimo mensal, além de ampliar formas precárias de contratação.
Seu programa chama a reforma trabalhista de Temer de “modernização”, defende uma nova reforma administrativa, privatizações e ataca a organização sindical: “o país precisa se posicionar contra a República Sindical”.
Esse projeto também atinge o serviço público e as universidades. No governo Bolsonaro, as universidades federais sofreram sucessivos cortes e bloqueios orçamentários. E por 5 anos, nos governos Temer e Bolsonaro, os servidores federais não tiveram reajuste salarial.
Precarização do trabalho, enfraquecimento dos sindicatos e desmonte do serviço e das universidades públicas: já vimos esse filme e não queremos ver de novo.
O BRASIL NÃO CABE NO QUINTAL DE NINGUÉM
Nestas eleições, a soberania do Brasil está em jogo e sua submissão (ou não) aos interesses dos EUA. Não é teoria da conspiração: a Abin alertou para o risco crítico de intervenção nas eleições brasileiras. Com ameaças, sanções e pressões econômicas, os EUA resgatam a Doutrina Monroe e buscam ampliar seu controle sobre a América Latina. A pressão envolve também interesses estratégicos, como terras raras e minerais críticos, e ataques ao Pix.
A família Bolsonaro atuou para que o próprio país fosse taxado. Flávio chegou a agradecer a Trump pelas tarifas. Das 21 exigências de Trump para não impor tarifas ao Brasil, 16 coincidem com propostas de governo de Flávio Bolsonaro. Carta do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, revela que o senador se comprometeu a colocar uma “equipe de transição” à disposição de Washington, caso eleito.
R$ 76 BILHÕES EM RENÚNCIAS FISCAIS
Nos três primeiros anos do governo Jorginho Mello (PL), mais de R$ 76 bilhões deixaram de entrar nos cofres públicos por meio de renúncias fiscais em benefício de grandes empresas dos setores portuário, do agronegócio e da indústria. Falta transparência sobre quem recebe os benefícios, quanto recebe e quais contrapartidas oferece à população.
BILHÕES PARA O PROGRAMA UNIVERSIDADE “NADA” GRATUITA
O programa pode consumir mais de R$ 3 bilhões entre 2024 e 2026 e já teve mais de 1.200 beneficiários milionários sob suspeita de fraude. São bilhões do orçamento da educação que poderiam fortalecer diretamente as universidades públicas, como a UDESC.
VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES
Entre 2020 e 2025, SC registrou mais de 436 mil ocorrências de violência doméstica. Em 2026, até agosto, 38 mulheres foram vítimas de feminicídio no estado. O enfrentamento à violência exige orçamento e políticas permanentes de prevenção, acolhimento e proteção às mulheres. Nada disso aparece no programa de governo de Jorginho, nem constam os termos “feminicídio” e “violência contra a mulher”.
AÇÕES AFIRMATIVAS SOB ATAQUE
Em 2026, uma lei aprovada pela Alesc e sancionada pelo governador tentou proibir cotas e outras ações afirmativas no ensino superior público ou financiado pelo Estado. A medida foi suspensa pela Justiça, mas mostrou que as políticas de ações afirmativas seguem sob ataque.
IR ÀS URNAS É FUNDAMENTAL
Conhecer as propostas e o histórico de quem disputa o Executivo e o Legislativo permite fazer uma escolha consciente sobre os rumos do serviço público e os direitos dos trabalhadores.




