A coordenadora-geral do SINTUFSC, Gabriela Furtado Carvalho, participou, na manhã desta quinta-feira (16), de reunião realizada no Gabinete da Reitoria para discutir estratégias de divulgação e orientação aos servidores sobre as opções de planos de saúde disponíveis, especialmente para aposentados e pensionistas. Também participaram representantes da Reitoria, da Pró-Reitoria de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas (Prodegesp), da Agência de Comunicação (Agecom) e da Apufsc-Sindical.
A reunião deu continuidade às discussões iniciadas em 13 de julho, quando esteve presente a diretora do SINTUFSC Bethânia Negreiros Barroso. Na ocasião, foi debatido principalmente o Convênio com a Fundação Assefaz. A celebração deste convênio por adesão foi anunciada pela Superintendência de Atenção à Saúde (SAS/PRODEGESP) em 7 de abril deste ano. No dia 14 de julho, a Assefaz realizou uma live para apresentação do plano.
Entre os encaminhamentos das reuniões, está a possibilidade de criação de um simulador para auxiliar os servidores na comparação entre os planos. A ferramenta poderá facilitar uma análise inicial, mas não substitui a avaliação detalhada das condições de cada contrato, como rede credenciada, coparticipação, cobertura, reajustes e atendimento na região onde o servidor reside.
Os servidores interessados em conhecer melhor as opções disponíveis na UFSC podem procurar a Coordenadoria de Saúde Suplementar, que funciona no andar térreo da Biblioteca Universitária (BU) e atende pelos telefones (48) 3721-2996 e (48) 3721-2630, além do e-mail planodesaude@contato.ufsc.br. No portal já consta para consulta, inclusive, a tabela de valores da Assefaz para o período 2026/2027.
Coparticipação e imprevisibilidade preocupam servidores
Durante a reunião, a coordenadora-geral do SINTUFSC, Gabriela Furtado Carvalho, chamou atenção para uma das principais reclamações recebidas atualmente pelo Sindicato em relação aos planos de saúde: a dificuldade de prever quanto efetivamente será pago ao final de cada mês.
Segundo ela, muitas vezes a escolha do plano é feita levando em consideração apenas o valor da mensalidade, sem que o servidor compreenda plenamente os impactos financeiros da coparticipação. Uma única consulta, exame ou atendimento pode ser desmembrado em diversos procedimentos, gerando cobranças individualizadas que elevam significativamente o valor final da fatura.
Gabriela também citou relatos de usuários que identificaram situações em que determinados procedimentos realizados de forma particular tiveram custo inferior ao valor pago por meio da coparticipação dos planos de saúde. Tais situações demonstram a importância de que os servidores conheçam detalhadamente as regras do contrato e formas de cobrança antes da adesão.
“O papel do SINTUFSC não é dizer com quais operadoras a UFSC deve firmar convênio ou contrato, nem qual plano o servidor deve contratar. Nosso papel é defender uma política permanente de atenção à saúde na Universidade, fortalecer o SUS, lutar pelo retorno integral do SASC e garantir que os servidores tenham acesso às informações necessárias para fazer uma escolha consciente”, afirma Gabriela.
Defesa do SUS e retomada do SASC
O SINTUFSC reafirma que, embora acompanhe as discussões sobre planos de saúde e reconheça sua importância para parte dos servidores, eles não substituem o direito à saúde pública. O Sindicato defende o fortalecimento do SUS e a retomada do Serviço de Atendimento à Saúde da Comunidade Universitária (SASC), considerado uma política permanente de promoção, prevenção e atenção à saúde dentro da UFSC.
A necessidade de recorrer aos planos privados de saúde reflete um modelo que transfere para os trabalhadores parte significativa dos custos da assistência à saúde. Em muitos casos, especialmente entre aposentados e servidores com dependentes, a soma da mensalidade e da coparticipação compromete uma parcela expressiva da renda familiar, tornando o acesso à saúde suplementar cada vez mais oneroso.
Nesse contexto, o SINTUFSC aponta a importância de uma política permanente de promoção, prevenção e atenção à saúde no âmbito da própria Universidade, que culmina na implantação do Serviço de Atendimento à Saúde da Comunidade Universitária (SASC), uma das principais reivindicações da greve dos Técnicos-Administrativos em Educação de 2024 e pauta permanente de atuação do Sindicato. O antigo SASC oferecia atendimento multiprofissional gratuito para estudantes e servidores e marcou a trajetória de milhares de pessoas da comunidade universitária.
Ao longo do último mês, o SINTUFSC tem divulgado uma série de depoimentos de usuários do antigo serviço. O enfermeiro Antonio Schweitzer relembrou que realizava anualmente consultas, exames laboratoriais e eletrocardiogramas pelo serviço para acompanhar seu colesterol elevado. Segundo ele, quando o plano de saúde da Universidade foi implantado, muitos acreditaram que o SASC deixaria de ser necessário. Entretanto, os sucessivos aumentos das mensalidades e da coparticipação tornaram os planos privados inacessíveis para muitos trabalhadores. Como resumiu, “ficamos sem o plano e sem o SASC”.
Já Matrede Oliveira Vieira da Silva e Doralicia Furtado da Rosa relataram a importância do atendimento prestado pelo antigo serviço tanto para os estudantes quanto para os servidores ativos e aposentados e destacaram que a retomada desse serviço é um investimento na qualidade de vida da comunidade universitária.
Como resultado da mobilização da categoria e das negociações da greve de 2024, a UFSC criou em fevereiro deste ano a Superintendência de Atenção à Saúde (SAS) com o intuito de estruturar o novo SASC. A mobilização já produziu resultados importantes, como a campanha de vacinação contra a gripe realizada em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis.
Para o SINTUFSC, esse é um passo importante, mas é necessário concluir a estruturação e retomar efetivamente o Serviço de Atendimento à Saúde da Comunidade Universitária, oferecendo atendimento multiprofissional permanente, com foco na promoção da saúde, prevenção de doenças e acompanhamento continuado.
Planejamento da assistência à saúde na UFSC
Outro tema debatido nas reuniões foi a necessidade de retomar o planejamento institucional em relação ao processo licitatório para contratação de plano de saúde destinado aos servidores da UFSC, com participação das entidades representativas.
O SINTUFSC seguirá acompanhando as discussões junto à Administração Central e defendendo que as decisões sobre o tema sejam conduzidas com transparência, participação das entidades e amplo acesso à informação para que os servidores possam fazer escolhas conscientes.




